Christiania: a prova de que anarquia não é utopia

anarquiaRetirado do www.nodo50.org

Christiania: A Lenda da Liberdade No coração gelado do capitalismo europeu, na fria Copenhagen, Dinamarca, uma comunidade de 10 mil pessoas vive num outro compasso. Cristiania não tem prefeito, não tem eleição e funciona sem governo, sem imposição de leis que controlem a organização social. A lenda da cidade-livre da Dinamarca é real: inspirada no Anarquismo, Christiania resiste há mais de 20 anos, inventando um jeito novo de conviver com os problemas da vida comunitária. Limpeza das ruas, rede de esgoto, manutenção dos serviços básicos, tudo é decidido e feito a partir de reuniões entre os moradores da cidade.

Eles se definem como uma comunidade ecologicamente orientada, com uma economia discreta e muita autogestão, sem hierarquia estabelecida e o máximo de liberdade e poder para o indivíduo. Uma verdadeira democracia popular direta, onde o bom senso e o diálogo substituem as leis. No Brasil, poucos conhecem a história da cidade-livre. O TESÃO vai contar, com exclusividade, a lenda da liberdade.

Christiania começou a escrever sua história em 1971. Foi a partir das idéias de um jornal alternativo, o Head Magazine, que um grupo de pessoas, de idades e classes sociais variadas, decidiu ocupar os barracos de uma área militar desativada na periferia de Copenhagen. Era o início de uma luta incansável contra o Estado. A polícia tentou várias vezes expulsar os invasores da área, mas sem sucesso. Christiania virou um problema político, sendo discutida no parlamento dinamarquês. A primeira vitória veio com o reconhecimento da cidade-livre como um “experimento social”, em troca do pagamento das contas de luz e água, até então a cargo dos militares, proprietários da área. O Parlamento decidiu que o experimento Christiania continuaria até a conclusão de um concurso público destinado a encontrar usos para a área ocupada.

Em 73 houve troca de governo na Dinamarca e a situação de radicalizou: o plano agora era expulsar todos e fechar o local. O governo decretou que a área seria esvaziada até o dia 1º de abril de 1976. Na última hora, o Parlamento decidiu adiar o fechamento de Christiania. A população da cidade-livre tinha se mobilizado para o confronto com o Estado, mas a guerra não aconteceu. O dia 1º de abril tornou-se o dia de uma grande manifestação da Dinamarca Alternativa. Ao longo dos anos, a cidade-livre aprimorou sua autogestão: casa comunitária de banhos, creche e jardim de infância, coleta e reciclagem de lixo; equipes de ferreiros para fazer aquecedores a lenha de barris velhos, lojas e fábricas comunitárias de bicicletas.

A década de 80 foi marcada pelas drogas. Em 82, o governo começou uma campanha difamatória contra Christiania: a cidade-livre era considerada o centro das drogas do Norte da Europa e a raiz de muitos males. A comunidade teve então que organizar programas de recuperação de drogados e expulsar comerciantes de drogas pesadas, como a heroína. O mercado de haxixe continua funcionando normalmente. O governo dinamarquês nunca deixou Christiania em paz, Vários planos foram elaborados visando a “normalização e legalização” da área.

Em janeiro de 92, finalmente um acordo foi assinado. Christiania já tinha mais de vinte anos de independência e provara ao mundo que é possível viver em liberdade. Mesmo com o acordo, o governo ainda tenta controlar a cidade-livre. A resposta veio no ano passado, com o lançamento do Plano Verde, onde os moradores de Christiania expressam sua visão de futuro e que rumos tomar. A lenda de Christiania continua sendo escrita.


Christiania: uma cidade sem governo

Christiania II: Uma Cidade sem Governo Christiania tem provado ao mundo que é possível viver numa sociedade sem autoridade constituída, sem delegação de poder através de mandatos e eleições. A cidade-livre da Dinamarca criou um experimento social definitivo contra a idéia dominante de que a humanidade se auto-destruirá se não existir um controle sobre a liberdade individual.

Os habitantes de Christiania decidiram correr o risco de andar na contra-mão da história. Para eles, o governo, seja lá qual for, e seus mecanismos de administração pública são sinônimos de burocracia, abuso de poder e corrupção.

Vivendo sem a necessidade de leis que controlem a organização social, cada morador da cidade livre tem que fazer sua parte enquanto cidadão e confiar que todos farão o mesmo. É uma nova ética de convivência, baseada na honestidade e na solidariedade.

Em 23 anos de existência, a cidade-livre sempre esteve associada a rebelião contra a ordem estabelecida e experimentando novos meios de democracia e formas de autogestão da administração pública. Christiania se organiza em vários conselhos, onde todos os moradores têm direito a opinar e discutir os problemas comunitários. As decisões não são feitas por votação, mas sim através do consenso. Isso significa que não é a maioria que decide e sim que todos tem que estar de acordo com as decisões tomadas nas reuniões. Às vezes, contam-se os votos somente para se ter uma idéia mais clara das opiniões, mas essas votações não tem nenhum significado deliberativo, não contam como uma solução para os problemas da comunidade. Christiania é dividida em 12 áreas, cada uma administrada pelos seus moradores, para facilitar o funcionamento dos serviços básicos. As decisões tomadas sempre por consenso podem parecer difíceis para nós, brasileiros acostumados ao poder da maioria sobre a minoria (pelo menos, é assim que se justificam os defensores das eleições).

Mas para os habitantes da cidade-livre, o consenso só é impossível quando existe autoritarismo, quando alguém tenta impor uma opinião sem dar abertura para que outras idéias apareçam e até prevaleçam como melhor solução. A experiência tem ensinado aos moradores de Christiania que cada reunião deve discutir só um assunto, principalmente na Reunião Comum, que decide sobre os problemas mais importantes da comunidade. E, contrariando o pessimismo dos que não conseguem imaginar uma vida sem governo institucional, a utopia está dando certo: a vida comunitária de Christiania preserva a liberdade individual e constrói uma eficiente dinâmica de relacionamento social, livre do autoritarismo e da submissão. A cidade-livre vive o anarquismo aqui e agora.


Ação Direta

Os moradores da Christiania fazem questão de ser uma pedra no sapato do capitalismo. Eles não se contentam apenas em incomodar os valores tradicionais da sociedade européia com a vida alternativa que levam. Christiania também desenvolve várias atividades com o objetivo de contestar o sistema capitalista e divulgar as idéias anarquistas.

Durante os primeiros anos, a cidade-livre se tornou conhecida por suas ações no teatro e na política. E quem conseguiu maior sucesso nessa área foi o grupo Solvognen. Uma de suas ações diretas mais famosas foi em 1973, quando a OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte), uma espécie de braço armado dos Estados Unidos na Europa, realizou um encontro de cúpula em Copenhagen. Inspirados no programa de rádio “Guerra dos Mundos” de Orson Welles, que simulou uma invasão de marcianos colocando em pânico a população norte-americana na década de 40, centenas de pessoas, lideradas pelo grupo de teatro de Christiania, fizeram parecer que um exército da OTAN tinha ocupado a Rádio Dinamarca e outros pontos estratégicos da cidade. A impressão que se tinha era que a Dinamarca estava ocupada por forças estrangeiras. Durante várias horas, o país inteiro ficou em dúvida se a invasão era teatro ou realidade. A ação foi uma dura crítica a intervenção dos Estados Unidos na vida dos países europeus.

O Solvognen também usou a critividade para contestar o comércio da maior festa do cristianismo. Em 1974, o grupo organizou o primeiro Natal dos Pobres da Dinamarca. Milhares de presentes foram distribuídos por um batalhão de Papai Noéis. Detalhe: os presentes eram artigos roubados das lojas de Copenhagen. Resultado: foram todos presos, mas o escândalo ganhou as manchetes dos principais jornais da europa, com fotos de dezenas de Papais Noéis sendo carregados pela polícia. Até hoje o Natal dos Pobres continua sendo organizado como uma tradição e todo ano aproximadamente 2 mil pessoas recebem uma grande ceia em Christiania. Vote Nulo.

Fonte: https://www.nodo50.org/insurgentes/textos/autonomia/09christiania.htm

As Mulheres Yazidis Enfrentam Uma Terrível Violência Sexual

 EM NEWROZ EUSKAL KURDU ELKARTEA
26 DICIEMBRE, 2014

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O último informe da Anistia Internacional sobre a situação das mulheres yazidis sequestradas pelo Estado Islâmico mostra as práticas de tortura, violação e outras formas de violência sexual que essas mulheres e meninas sofrem.

As mulheres que conseguiram escapar deste inferno relataram uma horrível visão da vida que enfrentaram, casadas à força, “vendidas” em mercados de escravas sexuais ou entregues aos combatentes do EI ou a seus partidários. Também são vítimas de conversão forçada ao Islam, sob ameaça de morte.

A maioria das cativas são meninas entre 14 a 15 anos, frequentemente incluindo ainda mais jovens. Os militantes do EI utilizam a violação como arma em seus ataques, ditas ações são consideradas crimes de guerra e crimes contra a humanidade.

Essas mulheres e meninas estão entre as milhares de Yazides da região de Shingal a noroeste do Iraque que foram vítimas de uma operação de limpeza étnica e religiosa que se iniciou em agosto.

É tal o horror e o trauma que essas mulheres e crianças sofrem que frequentemente colocam fim em suas vidas. Jilan, uma jovem de 19 anos suicidou durante seu cativeiro em Mosul, conforme declarou seu irmão à Anistía Internacional.

Segundo os testemunhos das mulheres que conseguiram escapar, a maioria dos homens que as compram e vendem são iraquianos ou sírios, muitos dos combatentes do EI e outros simpatizantes do grupo. Muitas sobreviventes yazidis estão duplamente afetadas, já que também perderam dezenas de familiares que permanecem em cativeiro ou são assassinados pelo EI.

Randa, uma jovem de 16 anos de uma aldeia vizinha ao Monte Shingal, foi sequestrada junto com dezenas de membros de sua família, incluindo a sua mãe que se encontrava grávida de três meses. Randa foi presenteada a um homem com o dobro de sua idade e que a violentava. Ela descreve o impacto de sua terrível experiência declarando que é muito doloroso o que fizeram a ela e sua família, o Estado Islâmico tem arruinado suas vidas.

O trauma das sobreviventes da violência sexual se agrava ainda mais pelo estigma que rodeia a violação. As sobreviventes sentem que sua “honra”, e de suas famílias, foram violadas e temem, como resultado disso, que sua posição na sociedade seja diminuída para sempre. Muitas vítimas sobreviventes da violência sexual, todavia, não têm recebido nem apoio nem ajuda psicológica que necessitam.

Donatella Rovera, assessora responsável pela Crise para o Oriente Médio da Anistia Internacional, realiza uma chamada urgente ao Governo Regional do Curdistão, a ONU e outras organizações humanitárias, para que intensifiquem seus esforços ao prover apoio médico e psicológico especializado em traumas às mulheres e crianças vítimas da violência sexual.

Tradução livre do Coletivo Anarquia ou Barbárie.

Anarquismo africano

anarquismo-africano-1[Foi criado um site africano, em inglês, destinado a ser um centro de recursos para os anarquistas, antiautoritários e outros socialistas revolucionários na África, e para todos aqueles que estão interessados na libertação do continente frequentemente explorado. Abaixo reproduzimos o texto de apresentação do projeto, chamado “African Anarchism”.]

A África atravessou séculos de sofrimento e privação, em um mundo que tem tudo. O capitalismo certamente não conseguiu proporcionar um nível de vida mínimo para os africanos e africanas. Os capitalistas autoritários que se chamavam “socialistas de estado” tampouco conseguiram dar respostas aos problemas do continente.

Neste contexto, o anarquismo não é uma solução simples, é a única solução possível que pode permitir que os povos africanos possam dar respostas às suas esperanças de uma vida sem miséria nem exploração. Nos últimos anos, grupos e indivíduos anarquistas surgiram em todo o continente. Embora se trate dos primeiros passos, é um começo, e à medida que o anarquismo cresça deveria mostrar-se como uma força poderosa na África.

Os africanos e africanas não têm nada a perder e depois de ter quebrado as suas correntes, o capitalismo global estremecerá ante suas poderosas forças revolucionárias.

Infelizmente, é muito difícil para as trabalhadoras e os trabalhadores africanos se comunicar com o resto do mundo, uma vez que o acesso à tecnologia na África ainda é muito limitado, e, portanto, muito frequentemente a informação contida nestas páginas oferecem mais perguntas do que respostas.

Estamos à procura de mais informações sobre o anarquismo na África, de modo que você pode completar com novos subsídios e ampliar os materiais que temos postados aqui no site; notícias sobre os movimentos, análise libertárias e outros temas interessantes. Portanto, se você puder nos ajudar, por favor, entre em contato com o nosso site: struggle.ws/africa/.

agência de notícias anarquistas-ana

a estrela cadente
me caiu ainda quente
na palma da mão

Paulo Leminski

Chamado Internacional de Solidariedade axs Presxs da Copa, via CNA-PoA

lib

Fonte: https://cnapoa.wordpress.com/2014/12/04/chamado-internacional-de-solidariedade-axs-presxs-da-copa/


Retiramos de CNARIO

Chamado internacional para ações de solidariedade xs presxs da Copa

No dia 12 de julho, na véspera da final da Copa do Mundo, a Polícia do Rio de Janeiro prendeu 19 ativistas, visando desarticular o grande protesto marcado para o dia da final, sob a justificativa de que elxs teriam participado de atos “violentos” nas revoltas do ano passado e de que estariam planejando outras ações na manifestação da final da Copa do Mundo. No total 23 mandados de busca e apreensão e de prisão temporária foram cumpridos contra pessoas acusadas de participar de movimentos sociais, os mandatos eram de 5 dias de prisão preventiva, 4 pessoas conseguiram escapar do sequestro da policia.

Xs ativistas foram levados à Cidade da Policia no Rio de Janeiro, um grande complexo de delegacias construído para dar conta da repressão àquelxs que contestam os mega-eventos e a lógica da cidade mercado. Nesse grande complexo se encontra a DRCI, Delegacia de Repressão aos crimes de Informática, que desempenha atualmente o papel da histórica Delegacia de Ordem Política e Social, a famigerada DOPS criada em 1924 para reprimir xs anarquistas, utilizada principalmente durante o Estado Novo e mais tarde no Regime Militar de 1964, com o objetivo de controlar e reprimir movimentos políticos e sociais contrários ao regime no poder. Em seguida foram todxs encaminhadxs para o complexo penitenciário de Bangu.

Alguns dias depois foi concedido um habeas corpus que libertou 18 dos ativistas que estavam presxs. Logo em seguida, a justiça decretou novamente a prisão dessas 18 pessoas, que no entanto escaparam e permaneceram foragidxs. Camila, Igor Pereira e Elisa (Sininho) continuaram presxs por volta de 10 dias, quando foi concedida liberdade provisória à todxs, menos para Caio Silva e Fábio, presos em janeiro deste ano acusados de homicídio. Xs ativistas passam por um momento difícil de criminalização e perseguição, mesmo esperando julgamento em liberdade, não podem deixar a cidade nem participar de manifestações e aglomerações públicas. Nesse mês de dezembro, Igor Mendes foi preso novamente e mais 2 compas ficaram foragidxs, acusadxs de descumprirem a ordem judicial e terem participado de um ato público pacífico no último 15 de outubro, representando, segundo a justiça, uma ameaça a ordem pública. Mais prisões podem surgir a qualquer momento e os julgamentos que acontecem ao longo dos próximos meses ainda pode levá-los a condenação. A Polícia afirmou que as prisões são baseadas em investigações que vem ocorrendo em segredo de justiça desde Setembro de 2013 contra a Frente Independente Popular (FIP), black blocs e outros grupos de ativistas, acusados de formação de quadrilha. A metodologia da polícia é o monitoramento, e a quebra do sigilo e da privacidade das pessoas. Xs 23 militantes são indiciados por uma extensa e absurda lista de infrações que vão desde quadrilha armada, até porte de explosivo, depredação de patrimônio público e privado, resistência e lesão corporal, e corrupção de menores.

O estado que fez mais presas e presos políticos no Rio pra que pudesse ocorrer uma partida futebol é o mesmo estado que fecha escolas, que mata nas favelas e que fez a Copa. Com essas prisoes o Estado brasileiro escreveu mais uma página em sua história, foi o dia em que todas as máscaras caíram, nem só a do Estado, mas também de partidos e grupos que o querem como ele é, que participam dessa tal democracia, dessa tal representatividade parlamentar. Neste dia o Estado disse com todas as letras “GUERRA CONTRA O POVO”, não de forma subliminar, mas pra quem quisesse ouvir. Nas favelas já se sabe disso há muito tempo, as marchas de junho/julho de 2013 também tentaram avisar, mas dessa vez foi em horário nobre e com todas as letras. Onde toda a população viu que o mesmo Estado que cria as leis às rompe quando bem entende, assim como sempre fez com a população pobre e negra durante toda a história de genocídios do Estado brasileiro.

Convidamos à todxs a organizar ações em solidariedade xs presxs da Copa em sua cidade. Não podemos nos calar diante da terrorismo de Estado do governo brasileiro e da ditadura da FIFA. Todos sabem da importância das revoltas em massa que ocorreram no Brasil desde junho de 2013 até agora, pois foram um marco na história desse povo, um momento de ruptura com as estruturas vigentes, um grito de basta para diversas opressões e violências históricas contra o povo. As forças de repressão querem a todo custo conter a indignação da população amedrontando xs ativistxs por meio da perseguição, querem retomar o controle e conformar as pessoas à voltarem a miséria da vida cotidiana e para isso estão dispostas a jogar na cadeia todxs aquelxs que não recuarem nessa luta. Nossxs companheirxs precisam de todo o apoio para vencermos mais essa batalha e se manterem nas ruas, nas assembleias e na mobilização popular.

Nenhum passo atrás! Ninguém fica pra trás! Pelo fim imediato das perseguições!

Dezembro de 2014,

Cruz Negra Anarquista – Rio de Janeiro

Grécia – Manifestações Massivas de Solidariedade com o Anarquista Nikós Romanós, em Greve de Fome Há Mais de Três Semanas

Postado em 4 de Dezembro de 2014 no Portal Anarquista, Ex-Colectivo Libertário de Évora.
Fonte: https://colectivolibertarioevora.wordpress.com/2014/12/04/grecia-manifestacoes-massivas-de-solidariedade-com-o-anarquista-nikos-romanos-em-greve-de-fome-ha-mais-de-3-semanas/

Milhares de pessoas encheram as ruas de Atenas na terça-feira à tarde (2 de dezembro) numa onda de protestos. Aproximadamente 10.000 pessoas participaram na manifestação de solidariedade com a luta do grevista de fome Nikos Romanós. Nikos está há 23 dias (hoje há 25 dias) em greve de fome, exigindo o seu direito de saída da prisão por razões educativas, conforme previsto na legislação relativa às permissões de saídas dos presos que são estudantes. Este direito é negado pelo regime Democrático, que não tem o menor escrúpulo em violar as suas próprias leis.

Em solidariedade com a sua luta estão em greve de fome três outros presos: Giannis Mijailidis há 15 dias, e André-Demetrio Burzukos e Demetrio Politis há dois dias. Em 28 de novembro, Heracles Kostaris, o outro preso-estudante a quem o Regime nega o direito de obter permissão de saída por razões educativas, terminou a sua greve de fome de 22 dias.

Esta foi uma das manifestações mais massivas de solidariedade na história do movimento contestatário no território do Estado grego. De acordo com as nossas estimativas e as de outros companheiros e mídias contrainformativos, o número de participantes na marcha oscilou entre 9.000 e 10.000. A faixa da cabeça da marcha dizia: “Grande força (alento) até à morte do Estado e do Capital”. A marcha esteve protegida em todo o percurso por grupos de manifestantes, a fim de evitar provocações por parte de policias uniformizados ou à paisana.

Os manifestantes reuniram-se na praça de Monastiraki, perto do bairro turístico de Atenas, onde várias faixa foram desfraldadas, entre elas uma que dizia: “A nossa revolta derrotará o medo”. A seguir os manifestantes marcharam até a praça principal de Sintagma (Constituição), onde está localizado o Parlamento, e depois para o Propileos da velha Universidade. Alguns manifestantes foram para a antiga Escola Politécnica, no bairro vizinho de Exarchia.

Quando a marcha entrou no bairro de Exarchia, dirigindo-se para a Escola Politécnica, eclodiram confrontos entre manifestantes e policiais. Estes grupos de manifestantes quebraram alguns multibancos, queimaram contentores de lixo e um conjunto de carros. Quase ao mesmo tempo foram erguidas barricadas e incendiados carros  e um autocarro fora do recinto da Escola Politécnica, onde haviam chegado vários dos manifestantes da marcha que ainda não tinha terminado.

De imediato começaram novos confrontos junto à Escola Politécnica. A Polícia não hesitou em atirar granadas para aturdir e gás lacrimogéneo no interior do recinto da Escola Politécnica, onde se refugiaram alguns dos manifestantes.

Manifestações de solidariedade com a luta de Nikos Romanós também foram realizadas nas cidades de Tessalônica, Patras, Canea, Heraclión, Rethimno, Agrinio, Mitilini, Esparta, Nauplia e Lixuri. Em todas as cidades as manifestações foram massivas, ainda que algumas delas se tenham realizado debaixo de chuva.

Adaptado daqui: http://verba-volant.info/pt/milhares-de-manifestantes-encheram-as-ruas-de-atenas-em-solidariedade-com-a-luta-do-grevista-de-fome-nikos-romanos

 

 

APELO URGENTE DO GOVERNO DO CANTÃO DE KOBANÊ

Situação atual de Kobane

Situação atual de Kobane

Fonte: http://kurdishquestion.com/kurdistan/west-kurdistan/urgent-appeal-from-kobane-canton-government.html
Tradução livre de Maria Joseane Rosa e revisão de Talita Rauber.

Apelo do governo do cantão de Kobane às Nações Unidas e à comunidade internacional

Os ataques do Estado Islâmico em Kobane, cidade curda no norte da Síria, estão em andamento desde 15 de setembro de 2014. Como resultado da guerra, muitas partes da cidade e dos vilarejos ao redor têm sido destruídas e devastadas. A emergência humanitária é agravada devido ao embargo, de fato existente. Uma vez que todas as rotas para Kobane foram bloqueadas, não é possível que os suprimentos humanitários alcancem a cidade. Devido à difícil situação dos refugiados de Kobane, localizados na Turquia, mais e mais pessoas estão retornando para lá. A municipalidade de Kobane é mantida por voluntários.

O maior problema é a falta de água potável. Após o início da revolta popular na Síria, a linha de abastecimento de água para Kobane, que está sendo controlada centralmente pelo estado, tem sido descontinuada. A própria população de Kobane construiu uma linha de água alternativa para lá. Porém, como resultado dos ataques realizados pela milícia terrorista chamada de Estado Islâmico, esta linha de abastecimento de água autoconstruída também foi destruída. Atualmente, as pessoas de Kobane obtêm a sua água dos poucos poços existentes.

No entanto, essa água não se trata de água potável. Por isso, é utilizada apenas para questões de higiene e limpeza. A água potável está disponível apenas em garrafas PET fechadas. Porém, os estoques estão baixos e não será suficiente por muito mais tempo. Da mesma forma, há ausência de alimentos, especialmente de trigo e farinha, com os quais pelo menos as necessidades básicas de subsistência puderam ser cumpridas. O local de produção do pão, que era organizado pela administração da cidade, caiu sob o controle do EI com todo o seu estoque de farinha.

Outro problema é a fonte de energia. Pelo fato de que elas também são direcionadas pelo governo central, tem ocorrido um corte de energia desde 2 anos atrás. Por isso, aque os ataques do Estado Islâmico começassem, a população providenciava eletricidade via geradores. Porém, o EI atacou e destruiu o depósito de combustível para os geradores. A insuficiência de combustível não só causa problema para gerar energia, como também constitui um grave problema para a temporada de inverno que se aproxima, já que o combustível também é utilizado para os aquecedores a óleo. Além disso, há falta de roupas de inverno, especialmente casacos e sapatos. Quando as pessoas fugiram de seus vilarejos, eles tiveram que deixar todos os seus pertences para trás.

Além disso, a assistência médica revela-se um sério problema. Os três hospitais existentes foram todos destruídos. Atualmente, uma casa abandonada funciona como local temporário à assistência aos pacientes e é gerido por apenas um médico voluntário. No entanto, devido à falta de medicamento, não é possível tratar muitas doenças. Embora alguns equipamentos médicos estejam disponíveis, estes não podem ser utilizados em operações importantes, visto que a fonte de energia, a qual é necessária a estes dispositivos, seja inexistente. Como resultado dos desumanos ataques da milícia terrorista, não apenas muitas pessoas foram feridas, como muitos ainda continuam sendo alvos de violência, além de que os cadáveres em decomposição e os bombardeios facilitam o alto risco de epidemias. Por causa dos constantes ataques do EI em curso, e da falta de material técnico, não é possível remover os cadáveres.

Estimamos que o povo de Kobane só pode sobreviver por mais um outro mês* com o estoque existente de alimentos, água e óleo para aquecimento. Entretanto, o fluxo de pessoas que regressam da Turquia para Kobane torna difícil dar um prognóstico detalhado. Ainda, acima de tudo, o abastecimento de água potável representa um enorme problema.

Portanto, nosso objetivo é atrair o público e a comunidade internacional com esta carta.

Exigimos:

A criação de um corredor para a ajuda humanitária sob o controle da ONU.

Delegação internacional de especialistas para analisar a situação em Kobane.

Garantir água potável e fornecimento de alimentos.

O envio de equipes internacionais de médicos para atendimento.

Equipamento técnico para a reconstrução da cidade.

*Nota de revisãono texto original encontra-se a palavra “moth”(mariposa), a qual acreditamos ter sido digitada errado, devido à falta de sentido. Portanto, pelo contexto, acreditamos que a palavra correta seja “month”(mês).

Entrevista com um comunista libertário ucraniano: “Os anarquistas se tornaram o maior obstáculo à anarquia”

Fonte: Aqui, postado pela FARJ – Federação Anarquista do Rio de Janeiro – Organização Integrante da Coordenação Anarquista Brasileira, em 03/12/2014.

Entrevista com um comunista libertário ucraniano:
“Os anarquistas se tornaram o maior obstáculo à anarquia”

Donetsk, cidade no sudeste da Ucrânia é palco de confrontos entre separatistas pro russos e a população ucraniana. Um militante comunista libertário que lá vive e milita, nos deu alguns instrumentos para compreender quais são as forças presentes e as razões da letargia do movimento libertário.

Qual é a situação na Ucrânia?

A vida continua com duas realidades paralelas: as pessoas continuam com sua vida cotidiana, com as crianças ao redor, com o mesmo lugar dos mortos, da violência, do ódio. A divisão da sociedade se reforça a cada dia. É uma revolução política da burguesia nacional, em um contexto de guerra civil e de uma intervenção mal dissimulada da Rússia.

 

Qual é a composição social dos manifestantes do sudeste e dos de Maïdan?

Maïdan e os separatistas do sudeste não diferem muito um do outro. Os dois agrupam uma diversidade de classes sociais, intelectuais, empregadas(os), empresários, ruralistas, estudantes, lupemproletariado, antigos militares…Todos viraram reféns e marionetes dos clãs econômicos.

As pessoas de Maïdan colocaram no poder novas oligarquias e a gente do sudeste deixou de dormir por conta da família do presidente deposto Yanoukovitch e de seu mestre em Moscou. Toda essa retórica é perfumada pelo nacionalismo, como resultado das feridas sangrentas e da cólera durante décadas. Na realidade, o inimigo está no Kremlin, no Capitólio americano e no parlamento alemão. Os líderes de Maïdan assim como os líderes separatistas, são frações da burguesia nacional e de seus componentes radicais.

À leste, eles intimidam as pessoas com o partido de direita Pravyi Sektr (Setor de Direita), e lhes chamam ao combate do fascismo, mesmo que eles se inspirem no fascismo imperial da nação russa. Em Donetsk, segundo sua lógica, você pode escolher em ser russo ou ser um fascista. Em uma palavra, você está abatido ou está morto. Isso aconteceu em Maïdan e acontece agora no sudeste.

 

O que se pode dizer sobre o referendum do 11 de maio (1)?

É um referendum marcado por seus postos de votação sem observador e sob o olhar atento de pessoas disfarçadas. Foi uma farsa inscrita em uma estratégia visando criar repúblicas populares independentes, e depois pedir sua admissão na federação russa. Mas tem uma grande parte das pessoas de Donetsk e de sua região que são partidários de uma Ucrânia unida. Os separatistas são melhores organizados, têm os melhores recursos administrativos e o apoio do estado vizinho, isso é tudo.

 

Você acha que tem especialistas russos no sudeste?

Eu não acho, eu tenho certeza. E muitos dentre eles estão nas bases de treinamento nas regiões de Donetsk e Lugansk, onde grupos de 400 a 500 habitantes e voluntários da Rússia treinam sob a direção de instrutores militares (…) A maioria das pessoas que defendem a bandeira separatista são habitantes, trabalhadores ordinários ou veteranos das forças armadas. Mas um número significativo e que organiza o processo com autoridade, é formado por voluntários da Rússia. O fornecimento de armas e de dinheiro vem da Rússia. O chefe atual do governo em Donetsk, que se proclama “República Popular”, é Boroday. Estratégia desenhada pela administração do Kremlin.

 

Tem alguma possibilidade dos protestos se transformarem numa revolução social?

Neste momento, é um cenário improvável. Uma revolução social é possível unicamente na presença de dois fatores: uma demanda das massas por uma transformação radical e a organização política de viés revolucionário dos anarquistas, que será capaz de defender o processo de mudança.

Na realidade, não há nenhuma demanda por uma revolução social. A única mudança imaginada está no interior do quadro político. E mesmo esses tímidos rebentos de anti-autoritarismo que puderam se manifestar, se não forem sustentados por uma organização revolucionária e anti-autoritária forte, serão destruídos pela agenda política da burguesia e pelos partidos nacionalistas.

 

Quais são as perspectivas para os anarquistas no contexto atual?

O principal problema do movimento anarquista é a ausência de uma organização anarquista. Os anarquistas têm estado incapazes de usar a situação porque estão presos às ilusões anti-organizacionistas.

A organização é uma incubadora, uma escola, uma sociedade de apoio mútuo e uma plataforma produtiva para idéias e projetos; mas o mais importante, ela é um instrumento para a realização das idéias, um instrumento de influência e um instrumento de luta. Ela não pode ser substituída por grupos de afinidade.

Os anarquistas de hoje, como em 1917, perderam a oportunidade de serem influentes no processo. A RKAS (2) reivindicando o anarquismo plataformista de Makhno sobreviveu a muitas crises, se implicando na greve dos mineiros, e teve muitos projetos a longo prazo, mas que não foram sem desacordos e cisões internas.

A gente pode se lembrar da propaganda anti-eleitoral da cisão da RKAS, a Mezhdunarodnyj Souz Anarkhistov [3] em Donetsk. Os divisionistas argumentaram sobre o prentenso autoritarismo da RKAS. Uma vez liberados da “ditadura do escritório organizacional da RKAS”, que lhes fez ir às minas e usinas propagandear o jornal Anarquia, e discutir com os sindicatos e com as cooperativas, e construir uma “guarda negra” auto-disciplinada, eles mostraram suas capacidades estratégicas e ideológicas colando cartazes feitos à mão contendo a seguinte mensagem “Não vá às eleições, coma legumes”.

 Todas as tentativas para construir uma organização através do projeto RKAS deram lugar a uma cruzada contra “o autoritarismo e extremismo”. Finalmente os anarquistas se tornaram o maior obstáculo à anarquia. Eu recorro a esse paradoxo para chamar a sua atenção sobre esta velha doença “a anti-organizacão”, destruidora e irresponsável (…)Talvez a RKAS renasça se dando conta de todos os seus erros e se modernizando, talvez nós criaremos algo novo (…) Nós não a abandonaremos e nós não desapareceremos.

 

Em que você está engajado neste momento?

Infelizmente eu não posso lhe dizer tudo. Caso contrário, muita gente e eu mesmo teremos múltiplos problemas, e nós temos muitos projetos para o futuro. Oficialmente a RKAS foi dissolvida, mas seu núcleo se movimenta nas ações ilegais.

 

Este texto é um resumo, reformulado por Jacques Dubart, de uma entrevista com um mlitante da RKAS – Confederação Revolucionária dos Anarco-sindicalistas _ acessível sobre anarkismo.net, traduzido do texto publicado em inglês no 9 de agosto.

[1] Referendum de auto determinação, assim que Donetsk “pediu” sua anexação à Rússia.

[2] Confederação Sindical Anarquista Internacional.

[3] União Internacional dos Anarquistas.